Nota de pesar
Manuel Gusmão (1945-2023)
Morreu, esta quinta-feira dia 9 de novembro, o poeta e ensaísta Manuel Gusmão, aos 77 anos. A Casa Fernando Pessoa presta-lhe homenagem e apresenta as condolências de toda a equipa do museu à família e pessoas amigas.
Nasceu em Évora, a 11 de dezembro de 1945. Licenciou-se em Filologia Românica em 1970 com uma tese dedicada aos poemas dramáticos de Fernando Pessoa, sobretudo Fausto, e doutorou-se com uma tese sobre a Poética de Francis Ponge em 1987. A sua estreia poética viria em 1990, com a publicação de Dois Sóis, A Rosa - a arquitectura do mundo.
Fez parte das redações das revistas O Tempo e o Modo e Letras e Artes e foi colaborador permanente do jornal Crítica. Foi fundador das revistas Ariane e Dedalus, da Associação Portuguesa de Literatura Comparada que também fundou. Foi coordenador editorial da Vértice e colaborador regular do Público.
Manuel Gusmão foi professor na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa. Orientou numerosas teses, ministrou conferências e ciclos sobre cultura, literatura portuguesa e francesa.
Ao longo da sua carreira, foi muitas vezes premiado. Em 2019, foi distinguido com a Medalha de Mérito Cultural do Governo português, em reconhecimento do "inestimável trabalho de uma vida dedicada à produção literária e à poesia”.
Além da extensa obra poética em nome próprio, Manuel Gusmão foi autor de ensaios e prefácios de obras de, entre outros, Ruy Belo, Maria Velho da Costa, Gastão Cruz, Herberto Helder, Luiza Neto Jorge, Maria Gabriela Llansol, Carlos de Oliveira, Nuno Bragança e também Fernando Pessoa.
É sua uma edição de poemas de Ricardo Reis, publicada em 1992 pela editora Comunicação, na coleção “Textos Literários”. Em termos pessoanos, no entanto, a obra de maior destaque de Manuel Gusmão é O poema impossível: o "Fausto" de Pessoa, publicação da editorial Caminho, na “colecção universitária”, em 1986. Neste ensaio, em torno da sua tese de licenciatura, Manuel Gusmão foi pioneiro ao defender que o Fausto de Pessoa, impossível como poema dramático, constitui uma espécie de subtexto da heteronímia pessoana.
A obra poética e de ensaio de Manuel Gusmão está catalogada e disponível, para consulta, na Biblioteca da Casa Fernando Pessoa.
Manuel Gusmão, poeta, professor, tradutor, ensaísta, pessoa de uma inteligência, sensibilidade e sentido de solidariedade extraordinários, deixa saudades do seu particular modo de fazer e pensar.